19 de novembro de 2014

Resenha: Invisível - David Levithan / Andrea Cremer

Título: Invisível (Invisibility)
Autor: David Levithan / Andrea Cremer
Editora: Galera Record
Ano: 2014
Páginas: 322
Stephen passou a vida do lado de fora, olhando para dentro. Amaldiçoado desde o nascimento, ele é invisível. Não apenas para si mesmo, mas para todos. Não sabe como é seu próprio rosto. Ele vaga por Nova York, em um esforço contínuo para não desaparecer completamente. Mas um milagre acontece, e ele se chama Elizabeth.
Recém-chegada à cidade, a garota procura exatamente o que Stephen mais odeia. A possibilidade de passar despercebida, depois de sofrer com a rejeição dos amigos à orientação sexual do irmão. Perdida em pensamentos, Elizabeth não entende por que seu vizinho de apartamento não mexe um dedo quando ela derruba uma sacola de compras no chão. E Stephen não acredita no que está acontecendo... Ela o vê!
Eu não sabia o que esperar de Invisível, por isso fiquei muito curioso como seria desenvolvida a história sobre uma garoto invisível para o mundo, mas que sua nova vizinha podia ver e mais uma vez fui surpreendido com a capacidade de David e claro Andrea Cremer que faz parceria com ele no livro de entregar o não esperado.

Stephen vive num apartamento em Nova York, ele nasceu invisível. Depois que seu pai abandonou a família, ele viveu com sua mãe que morreu a cerca de uma ano, sem contar a ele o motivo dele ser invisível a única coisa que ele sabe é que foi amaldiçoado. Elizabeth se mudou de Minnesota para Nova York com sua mãe e irmão depois que seu irmão Laurie teve alguns problemas por ser gay. Quando Beth conhece Stephen o mundo dos dois começa a mudar completamente.
Quando minha mãe morreu, todos os "por quês" e os "comos" voltaram. O luto lhes deu gás. A incerteza me fez recuar. Pela primeira vez na vida me senti amaldiçoado.
Stephen tenta conviver com sua "condição", mas ele sente falta de sua mãe e se sente muito solitário, ele ainda mantém contato com o pai, mas guarda um pouco de magoa por ter sido abandonado. A chegada de Elizabeth traz uma nova esperança para Stephen, contrariando tudo o que ele acreditava ela pode vê-lo.
A voz dela.
Fico paralisado. Ela sabe que estou aqui. Eu sei que ela está lá fora.
Espio pelo olho mágico e vejo que está sozinha.
— Da para ouvir você respirando atrás da porta — diz ela. — Dá para abrir? Não quero ter que soprar e derrubar. Quando sopro e derrubo, a coisa pode ficar sinistra.
Elizabeth viu seu mundo desabar depois do problema que o irmão sofreu, todos os seus amigos se afastaram e quando ela se mudou para Nova York, ainda trazia resquícios dos sentimentos passados e não consegue se adaptar bem a cidade, mas a partir do momento que ela conhece Stephen tudo começa a mudar.
Fico de pé, segurando a caixa de música
— Como seu irmão esta se adaptando?
— Melhor que eu. — Suspiro. Ele se encolhe um pouco, e morde o lábio.
— Não quero dizer... Estou bem agora digo. — Quando estamos juntos.
Parece que meu coração vai parar. Não quero falar muito e estragar tudo. Completo:
— Mas Laurie tem o colégio e as coisas que o mantém ocupado. Fico presa com a tarefa de tirar tudo das caixas.
— Ah... que injustiça. — Ele volta a sorrir, e eu relaxo.
O relacionamento de Stephen e Beth é construído de forma muito boa, ambos tem medo de se abrir para o mundo cada um tem o seu motivo, mas com o passar do livro a gente vê que o sentimento nasceu da forma mais franca e bela.
— O que foi aquilo? — pergunta ela.
— Quero que a gente acelere as coisas — digo a ela. — Mas a gente precisa ir devagar.
Ela me examina.
— Por quê?
Se não posso contar a verdade, posso ao menos contar uma verdade.
— Por que nunca fiz isso
— Nunca?
Não. Nunca.
— Nenhuma ex malvada?
 — Ex nenhuma pode acreditar. Nem malvada nem outra coisa.
— Por que?
Balanço a cabeça
— Simplesmente não aconteceu.
E mais uma vez somos presenteados com um personagem gay num livro de David Levithan. Laurie pode até ser um personagem secundário, mas ele faz muita coisa acontecer no livro, fora que ele traz ótimos momentos de alívio cômico para o livro, eu sinceramente ri muito com as tiradas dele, fora todas as referências que somente um gay poderia usar para descrever certos momento. Adoro o Laurie.
— Como maldições funcionam?
— Plantão de notícias — diz ele. — Eu sou gay, não um feiticeiro. Quem é gay e feiticeiro é Dumbledore, e, da última vez que verifiquei, ele ainda era só um personagem de livro.
Eu não sabia o que esperar de um livro que trataria de um garoto invisível, mas caramba fiquei com a cara no chão e simplesmente adorei tudo o que li, em certo ponto o livro toma um rumo sério e interessante que nunca pensei que iria acontecer e é nesse momento que descobrimos que o livro trata sobre bem mais que a invisibilidade de Stephen, o universo do livro é bem mais amplo e cheio de surpresas do que eu esperava.

Gente o que dizer sobre a referência feita ao livro Will & Will? Eu adoro quando o autor faz referência de seus próprios livros, da aquele leve sensação de crossover, a primeira vez que vi esse tipo de referencia foi em A Pirâmide Vermelha do Rick Riordan fazendo referencia a Percy Jackson.     

A capa do livro não é essas grandes coisas, ainda que faça algum sentido junto a historia do livro, pelo que eu entendi a parte da frente faz referência a Stephen e a de trás a Elizabeth. A capa segue bem o estilo das capas dos livros do autor lançadas pela Galera Record, a revisão e diagramação estão perfeitas.

Invisível foi um livro que me pegou de jeito e me deu mais do que eu esperava, por mais que não tenha me agradado com tudo que o livro mostra ainda assim adorei tudo que a Andrea e o David entregaram nesse livro. E mais uma vez ainda que um pouco escondido o livro gira em cima do amor, assim como todos os livros do Levithan que eu li.

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