9 de março de 2017

Resenha: Ninfeias Negras - Michel Bussi

Título: Ninfeias Negras (Black Water Lilies)
Autor: Michel Bussi
Editora: Arqueiro
Ano: 2017
Páginas: 352
Livro cedido pela editora para leitura 
Giverny é uma cidadezinha mundialmente conhecida, que atrai multidões de turistas todos os anos. Afinal, Claude Monet, um dos maiores nomes do Impressionismo, a imortalizou em seus quadros, com seus jardins, a ponte japonesa e as ninfeias no laguinho.
É nesse cenário que um respeitado médico é encontrado morto, e os investigadores encarregados do crime se veem enredados numa trama em que nada é o que parece à primeira vista. Como numa tela impressionista, as pinceladas da narrativa se confundem para, enfim, darem forma a uma história envolvente de morte e mistério em que cada personagem é um enigma à parte - principalmente as protagonistas.
Três mulheres intensas, ligadas pelo mistério. Uma menina prodígio de 11 anos que sonha ser uma grande pintora. A professora da única escola local, que deseja uma paixão verdadeira e vida nova, mas está presa num casamento sem amor. E, no centro de tudo, uma senhora idosa que observa o mundo do alto de sua janela.
"Ninfeias Negras", do autor Michel Bussi, narra a história de 3 mulheres de diferentes idades que vivem no pequeno - mas famoso - vilarejo, Giverny. A primeira é professora, mentirosa e se chama Stephanie Dupain; a segunda é egoísta e se chama Fanette Morelle; já a terceira é má e misteriosa. Essa última não tem seu nome revelado, mas é conhecida como a bruxa do moinho à beira de um regato.

O que essas 3 mulheres tem em comum é que ambas sabem quem é o assassino de Jérôme Morval, um cirurgião oftalmologista, casado e famoso na região. Jérôme morreu de uma forma bruta na beira do rio. Após essa trágica morte, começam as investigações atrás do assassino do dele.

"O crime de sonhar eu consinto que seja instaurado."

Para cumprir a missão de investigar o caso, é enviado à Giverny o inspetor Laurenç Sérénac que terá o auxílio do inspetor Sylvio Bénavides. Juntos, eles descobrem que Jérôme Morval era um homem infiel. Mulherengo, Jérôme traia a esposa sempre que quisesse. Além de suas aventuras sexuais, ele adorava colecionar quadros, sempre com um grandioso interesse por obras do famoso pintor impressionista, Claude Monet.

O que provou a infidelidade de Jérôme, foram fotos que de forma misteriosa chegaram às mãos dos inspetores. Nessas fotografias, estão as supostas amantes de Jérôme, dentre elas, lá está uma foto do oftalmologista com Stephanie Dupain, que é casada com Jacques Dupain.

"Quem é Stephanie?
 Mulher fatal?
 Moça de má reputação?"

Logo as suspeitas caem para o marido de Stephanie. Um crime passional! A foto pode dizer muita coisa. E os inspetores vão atrás de respostas para saber se Jacques realmente pode ter algum envolvimento na morte do médico. O que ninguém esperava, é que um desses inspetores vai acabar se envolvendo amorosamente com Stephanie.

Paralelo a toda essa situação, iremos conhecer melhor a jovem Fanette que sonha em ser pintora e ganhar o mundo com seu trabalho. Mas esse sonho será destruído da forma mais triste.

"Quero pintar minhas Ninfeias como Monet teria pintado se tivesse 11 anos. Ninfeias cor de arco-íris!"

De longe, mas nem tão distante assim, a famosa "bruxa" observa todos os fatos acontecerem da janela do seu moinho. Assim como Stephanie e Fanette, a "bruxa" também sabe de tudo, tem a resposta para solucionar todo o crime. Ambas também desejam sair de Giverny, mas será que elas irão conseguir? E o assassino de Jérôme, será que vai ser encontrado? As suspeitas não param de surgir, mas será mesmo que os inspetores estão seguindo a investigação certa? O que vai acontecer com as 3 mulheres?

Muitos segredos serão revelados! A alegria vai se esvair pela tela das Ninfeias transformando-as em Ninfeias Negras.

"Não existe amor feliz...
Exceto aqueles que nossa memória cultiva."

Michel Bussi concluiu "Ninfeias Negras" com um desfecho revelador, emocionante e cheio de esperanças. Ele construiu uma história incrível, onde o leitor realmente não consegue desgrudar do livro. Repleta de mistérios, amizades, humor - em alguns momentos - , ação e muito romance. Acho que a parte do romance foi o que me fez ficar tão abalado com o desfecho. E QUE DESFECHO!

A história foi ambientada no vilarejo Giverny que é real e fica localizado na França. Nunca vi nada na internet a respeito do local, mas a descrição perfeita que o autor faz do local é tão rica que eu juro pra vocês: eu consegui imaginar todos os ambientes e assim que terminei de ler, corri na internet pra pesquisar imagens do local e 80% do imaginei bateu com a descrição do Michel Bussi. Eu achei isso espetacular e garanto que se você ler também vai adorar!

Os personagens construidos pelo Bussi é outro ponto positivo. O companheirismo dos inspetores é tocante, a relação de Fanette com os amigos, Stephanie e seu jeito melodramático, sonhador e amoroso de viver; a bruxa e seu modo observador e crítico, dentre tantos outros personagens que o autor vai explorando sem íntimo ao longo da narrativa. Além disso, o autor tratou de deixar o vilarejo ainda mais misterioso, onde tudo virou um grande mistério pois ninguém viu e nem ouviu nada a respeito da tragédia. Não somente dessa envolvendo Jérôme Morval, mas de outra.

A Editora Arqueiro manteve a capa original do livro, alias muito linda e tem muito a ver com a história. Por dentro, a diagramação é muito bem feita, não encontrei erros ortográficos, a fonte tem um tamanho agradável, as folhas são amareladas e o livro contém orelhas. Tudo bem caprichado!

O que Michel Bussi fez de "Ninfeias Negras" foi um romance policial de tirar o fôlego. Se a intenção do autor era de deixar o leitor arrasado com as revelações no final do livro, pelo menos comigo, ele conseguiu atingir o objetivo. Acima de tudo, Michel Bussi faz o leitor se questionar: A que ponto o amor nos transforma? A que ponto podemos chegar pelo amor?

Ouça abaixo "Le Temps de L'amour", música da cantora e compositora francesa, Françoise Hardy. A canção é citada em determinado momento da história.


Para quem não sabe, fora do Brasil já foram vendidos 3,5 milhões de exemplares de "Ninfeias Negras". A obra teve os direitos vendidos para 14 países e é vencedora de 5 prêmios literários.

Eu só digo mais uma coisa: "Ninfeias Negras" merece ser adaptado para o cinema. 

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