25 de abril de 2018

Resenha: A Canção de Aquiles - Madeline Miller

Título: A Canção de Aquiles (The Song of Achilles)
Autor: Madeline Miller
Editora: Jangada
Ano: 2013
Páginas: 392
Baseada na Ilíada, esta obra é uma reconstituição da épica Guerra de Troia. O tímido príncipe Pátroclo é exilado no reino de Fítia, onde cresce à sombra do rei Peleu e de seu extraordinário filho, Aquiles. Apesar de suas diferenças, os meninos logo se tornam companheiros inseparáveis. Os laços entre eles se aprofundam à medida que se tornam adolescentes e hábeis nas artes da guerra e da medicina - para desagrado e irritação da mãe de Aquiles, Tétis, uma cruel deusa marinha que odeia os mortais. Quando se espalha a notícia de que Helena de Esparta foi raptada, os homens da Grécia, ligados por um juramento de sangue, têm de partir para invadir Troia e salvar Helena. Seduzido pela promessa de um destino glorioso, Aquiles junta-se à causa. Pátroclo, dividido entre o afeto e o temor por seu amigo, acompanha-o. Mal sabem eles que os deuses do destino os colocarão à prova como nunca antes, exigindo deles um terrível sacrifício. 
Por anos eu fiquei paquerando esse livro a distância, mas ele sempre estava muito caro para comprar, ou eu sempre deixava ele em segundo plano e assim acabava nunca lendo, felizmente eu o ganhei de amigo secreto em 2016, mas ainda assim eu demorei a lê-lo, mas finalmente o fiz e vim aqui para falar sobre ele.

Pátroclo é um príncipe, filho de Menécio, rei da Lócrida, ele sempre foi uma garoto calmo e tímido  que evitava de todas as formas confrontos, e seu pai sempre reparou essa característica no filho e não a via como uma característica boa, afinal como bom grego é esperado que os garotos sejam autoconfiantes, fortes e corajosos, ainda mais quando se o filho do rei. Mas quando numa fatalidade Pátroclo acaba matando um garoto, seu pai que já não o via com bons olhos, para não precisar executá-lo decide exila-lo e o envia para o reino de Fítia governado pelo rei Peleu
Logo me tornei uma decepção: pequeno, franzino. Não era esperto. Não era forte. Não sabia cantar. O melhor que se poderia dizer de mim era que tinha saúde. Os resfriados e as cólicas que afligiam as demais crianças não me molestavam. Isso só deixou meu pai ainda mais desconfiado. Seria eu um mutante, uma criatura não humana? Ele me olhava com ar zangado. Minha mão tremia, sentindo seu olhar.
Na Fítia, Pátroclo tem um pouco de dificuldade para se enturmar com todos os garotos que ali estão presente, tanto por sua timidez quanto por sua fama que o acompanha, mas logo ele consegue a atenção de Aquiles, príncipe da Fítia, filho de Peleu e Tétis uma ninfa do mar. Os dois garotos logo começam uma grande amizade se tornando companheiros inseparáveis, o que para Tétis é absurdo, pois, ela sábia que Aquiles estava destinado a ser grande, e a presença de Pátroclo poderia manchar a imagem de seu filho.
Meu pai passara  vida lutando a fim de preservar seu reino e não se arriscaria a perdê-lo por causa de um filho como eu, quando herdeiros e ventres prontos a pari-los eram tão fáceis de conseguir. Concordou: eu seria exilado e acolhido no reino de outro homem. Em troca de meu peso em ouro, lá me criariam até a idade adulta. Eu não teria pais, nome de família nem herança.
Os dois são enviados para viver sob a tutela da Quíron para aprender sobre a arte da guerra e sobrevivência, a medida que eles crescem a amizade entre os dois acaba evoluindo e se transformando em amor. Logo se espalha a notícia de que Helena de Esparta foi raptada e levada para Troia, Tétis até tenta impedir mas, Aquiles é convocado para a guerra e mesmo sabendo qual será seu destino ele decide ir para a guerra, Pátroclo temendo perder Aquiles decide acompanha-lo.
— Pai, eu não estou vendo um lugar para Pátroclo. — Minha faces ficaram ainda mais vermelhas.
— Aquiles... — comecei num murmúrio. Não importa, queria dizer. Vou me sentar com os homens; está tudo bem. Mas ele me ignorou.
— Pátroclo é meu companheiro, ao qual me liguei por juramento. Seu lugar é a meu lado.
Os olhos de Tétis faiscaram. Eu podia sentir-lhes o calor. Vi a recusa estampada em seus lábios.
—Muito bem — disse Peleu. Acenou para um servo e um lugar foi preparado para mim, felizmente no extremo oposto do lugar onde Tétis se sentara. Procurando me fazer o menor possível, segui Aquiles até nossas cadeiras.
MEU DEUS DO CÉU, que livro foi esse? Eu demorei muito para conseguir terminar de lê-lo, na verdade eu comecei a ler, depois dei uma pausa para ler outros livros e aí voltei para ele, e já adianto não foi porque o livro é ruim, a verdade é que o livro é maravilhoso, eu quem tenho problemas com leituras históricas. Madeline foi de uma maestria e destreza em fazer essa releitura da Ilíada, ela conseguiu transmitir todo o mito e ainda assim adicionar as suas ideias ao texto como se elas como se elas sempre tivessem feito parte dele.

Aquiles sempre foi um semideus deixado de lado por mim, até eu descobrir esse livro. Eu sabia o básico sobre o mito dele, então eu sequer sabia de seu "relacionamento" com Pátroclo e não vou mentir, me interessei por esse livro justamente por esse motivo. Mas o que fazer quando o livro é infinitamente melhor do que esperava? Ele trás dois aspectos literários que eu amo "mitologia grega" e "gay lit", e foi exatamente isso o que o tornou tão atrativo para mim, mesmo com toda a minha dificuldade com livros históricos. E mesmo sabendo antecipadamente o final da história, afinal os oráculos gregos adoram uma profecia, a história me envolveu completamente a ponto de desejar que a autora mudasse o final que já era esperado, ainda que dolorido fiquei emocionado com a beleza e simplicidade com que o livro termina.
  
Pátroclo é aquele personagem inicialmente doce e altruísta, que mesmo crescendo não perde tais característica, apenas se adiciona características melhores, muito se devendo a seu amor e devoção a Aquiles. Aquiles como filho de uma deusa é esperado que seja destemido e confiante, e é exatamente isso o que ele é, mas ele também possui seu lado carente e frágil, e é em Pátroclo que ele encontra apoio e carinho que ele precisa para suprir esse seu lado.

A Canção de Aquiles em definitivo foi um dos melhores e mais lindos livros que eu já li em minha vida de leitor, fiquei completamente entretido com a leitura e emocionado com o final do livro, espero poder ler um outro livro da Medeline. Eu adoro a capa do livro ela é simples e muito bonita ao mesmo tempo. Não encontrei nenhum problema de revisão, a diagramação do livro é boa e a fonte tem um bom tamanho para leitura.

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